Saudações,

Uma das coisas mais desagradáveis que podem acontecer no pôquer é receber uma bad beat. É tão frustrante que muitas vezes entramos em tilt, o que acaba por comprometer nosso jogo, nos fazendo perder ainda mais fichas.

Hoje quero falar de algumas formas de superar as famigeradas baralhadas. Mas antes de iniciar é preciso definir bad beat.

Segundo o glossário da intelipoker, “uma bad beat ocorre quando você tem uma mão que é claramente a favorita e seus oponentes têm pouquíssimas chances de se recuperar, mas ainda assim eles acabam encontrando as cartas que precisam para vencer”.

Podemos encontrar outras definições em obras clássicas. No livro Teory of Poker, bad beat é classificada como:

Ter uma mão que é a grande favorita, que é derrotada como resultado de um golpe de sorte, especialmente quando a pessoa que acertou a carta estava jogando incorretamente por entrar no pote primeiro (David Sklansky).

Bem, já sabemos que esse infortúnio ocorre quando nossa mão claramente favorita é derrotada. Com o agravante, segundo Sklansky, do jogador estar jogando incorretamente.

Como cada jogador vê o jogo de uma forma diferente, num primeiro momento não iremos considerar se ele estava correto em estar na mão ou não, pois isso nos leva a uma análise subjetiva. Além disso, um jogador pode ter feito tudo corretamente e ainda assim aplicar uma bad beat (quem se lembra daquela quadra vs full na mesa final do Bsop Millions?). Por isso, iremos considerar apenas aspectos matemáticos, objetivamente.

Nenhum conceito de bad beat deixa claro quando a mão é incontestavelmente favorita. Quando comecei a jogar, acredito que todos os iniciantes pensam assim em algum momento, sempre que perdia uma mão que estava na frente, achava que tinha levado uma bad. Não interessava se eu tinha perdido um QQ x AK (aproximadamente 55% contra 45%), um caso típico de coin flip, isso pra mim era uma grande sorte do outro cara.

Há alguns meses, encontrei um material falando objetivamente sobre isso, considerando apenas as probabilidades. Dessa forma, ficou estabelecido que estaria caracterizada uma bad beat, após todos os jogadores irem all in, pois assim não haveriam mais decisões a serem tomadas, quando a mão vencedora tivesse:

• Menos de 30% de chances pré-flop;
• Menos de cinco outs no flop;
• Menos de sete outs no turn;

Dessa forma, perder um AKs para um 72o num all in pré-flop não seria bad beat, pois o 72o tem aproximadamente 31% de chance nessa situação, ou seja, ele irá vencer praticamente uma em cada três vezes. Lembrando que aqui não consideramos se o vilão deveria jogar essa mão ou não.

Também não seria bad beat quando um jogador está atrás no flop, mas tem duas over cards. Por exemplo, QQ x AK, num flop 259, são seis outs, logo não se enquadra na definição matemática.

Bem, esse foi o primeiro ponto para superar as bad beats. Em seguida, vamos tratar do tilt que dá quando um jogador faz uma grande loucura e se dá bem, ou seja, quando ele não deveria estar naquela mão. Todavia, precisamos olhar para o próprio umbigo, analisar o que faríamos se estivéssemos na situação do vilão, como jogaríamos aquelas cartas, pois muitas vezes xingamos os caras, mas faríamos a mesma coisa.

Essa é do tipo que mais machuca. A princípio, podemos pensar que aqui se trata apenas de ter um psicológico forte para superar esses desagrados. Embora a inteligência emocional seja muito importante (deixarei o link de um texto que escrevi sobre isso), precisamos entender a matemática para lidar melhor com isso.

Atenção: sempre que levamos uma bad beat por erro do vilão, ganhamos dinheiro no longo prazo.

Isso mesmo, nós perdemos aquela mão, mas no longo prazo nós ganhamos. A matemática é simples: conseguimos fazer o vilão se atolar numa situação muito ruim para ele, sempre que conseguirmos isso, devemos ficar felizes, pois estaremos ganhando dinheiro a grande maioria das vezes.

Então, vamos parar de chorar quando ganhamos. Certo?

Por hoje é isso pessoal. Vamos analisar objetivamente as mãos antes de ficarmos bravos. Muitas das mãos que perdemos quando somos favoritos não são bad beats; somos favoritos, mas os adversários têm boas chances de vencer. Até quando temos 70% contra 30%, devemos ver que ainda é muito. 30% está bem mais perto de 50% do que de zero.

Obrigado pela leitura.
Grande abraço.
Nos vemos nas mesas.

 

https://www.intelipoker.com/blogs/Barba+Ruim/desenvolvendo-a-inteligencia-emocional-para-o-poquer